A poucos dias, um caso me chamou atenção, uma menina jovem, talvez nem de maior idade, perdeu a mãe. A sua jóia, seu tesouro. Sim, palavras melosas mas com um significado profundo quando empregadas junto a palavra mãe. Me perguntei por dias, como essa menina iria passar seus dias sem a mãe. Você, passaria dias e dias sem ver sua mãe? Sem sequer sentir falta dela? - Afirmo com certeza que não. -Pensei por varias horas e dias, em como ela conseguiria se virar sozinha, com roupa, comida, casa, limpeza, contas ...
Eu, modéstia parte, não conseguiria. Por mais que eu trabalhe, estude e faça tantas outras coisas, não conseguiria. Me tornei muito dependente da minha mãe pra certas coisas, não sei lavar, passar, não sei cozinhar direito, não consigo ter paciência de mãe. Definitivamente, não consigo.
Aprendi muita coisa sozinha. Aprendi também a acordar cedo sozinha, muito difícil no início, mas depois fui percebendo quantas vezes minha mãe nem dormia pra poder me ver acordar. Aprendi a me virar bem sozinha. Aprendi metade de tudo o que eu sei sozinha. Caindo e levantando sozinha. Sem apoio de mãe, e de pai, e de ninguém. Aprendi tanto, que me considero extremamente diferente. Mais adulta, mais mulher, e mais criança também. Me considero responsável, por ter que pagar minhas contas, administrar meu dinheiro pra não gastar demais. As vezes não consigo. E então minha mãe milagrosamente aparece e me ajuda. Mas não sempre. Gasto demais, perco dinheiro na rua, gasto dinheiro e nem sei onde.
Minha mãe por muitos anos, me deixou de castigo, me bateu quando eu era criança. Aquelas palmadas na bunda que só agora, eu percebo o quanto foram importantes pra mim. Importantes pra que eu não cometesse o mesmo erro duas vezes e não me machucasse de novo. Importantes pra mim saber o que fazer, o caminho certo a seguir, a não dar o passo maior que a perna.
Por isso, eu me pergunto todos os dias. E eu, viveria sem minha mãe? Sem ela pra me fazer rir? Sem ela pra poder me escutar chora? Sem ela pra me levar no médico quando eu estou doente? Não. Não. Não.
Não conseguiria. E não consigo.
Me tornei dependente dela em muitos aspéctos, mas não em todos. Considero tudo o que ela fez, e ainda faz por mim. Apesar de não pagar mais minhas contas, não me ajudar mais em muita coisa. Ela continua lavando minha roupa, fazendo comida pra mim, arrumando minha cama e pagando as despesas da casa.
Digo e repito: não vivo sem minha mãe, sem minha família, sem meus pais. Definitivamente, não vivo.
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